Saúde metabólica entra no radar do risco de arritmias; entenda

As arritmias cardíacas, alterações no ritmo dos batimentos do coração, têm crescido no mundo. A fibrilação atrial, considerada a arritmia persistente mais comum, passou de 33,5 milhões de casos em 2010 para 59 milhões em 2019, alta de cerca de 75%, segundo dados da European Heart Rhythm Association. Embora o envelhecimento da população explique parte desse avanço, especialistas apontam que mudanças no estilo de vida também pesam no risco.
Obesidade, hipertensão, resistência à insulina, diabetes, sedentarismo, estresse e noites mal dormidas influenciam a saúde do coração. Estudos recentes associam muitas arritmias não apenas a falhas elétricas, mas também a processos metabólicos e inflamatórios. Pessoas com maior resistência à insulina podem apresentar cerca de 60% mais risco de desenvolver fibrilação atrial, mesmo após ajuste para fatores como obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares.
O cardiologista Fernando Barreto, diretor médico assistencial do São Cristóvão Saúde, afirma que a arritmia pode ir de quadros benignos a situações que exigem tratamento. “Ela pode ser benigna, mas também pode indicar doenças importantes e, em alguns casos, aumentar o risco de complicações como insuficiência cardíaca e AVC. Por isso, sintomas persistentes merecem avaliação médica.” Entre os sinais de alerta estão palpitações, batimentos irregulares, tontura, falta de ar, fraqueza, dor ou desconforto no peito e desmaios; em alguns casos, o problema só aparece em exames de rotina.
Para o médico Pedro Andrade, especialista em Medicina Genômica, a cardiologia mudou a forma de compreender essas doenças. “Durante muitos anos olhamos para as arritmias como um problema exclusivamente elétrico. Hoje sabemos que, em muitos pacientes, elas começam muito antes, com alterações metabólicas silenciosas que inflamam, remodelam e modificam o tecido cardíaco.” Ele afirma que preservar a saúde metabólica, controlar o peso, dormir bem, reduzir inflamação e tratar a resistência à insulina ajudam a proteger também o sistema elétrico do coração.
