O que a ciência diz sobre a moda da “sauna infravermelha”

As saunas de infravermelho ganharam popularidade entre praticantes de atividade física por prometerem reduzir dores musculares e fadiga depois dos treinos. As evidências científicas, porém, ainda são limitadas e contraditórias. Diferentemente das saunas finlandesas tradicionais, que aquecem o ar entre cerca de 70°C e 100°C, as versões de infravermelho usam painéis que aquecem o corpo de forma mais direta e funcionam em temperaturas mais baixas, entre 40°C e 60°C.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 avaliou 14 estudos, com 194 participantes, sobre aquecimento corporal após exercícios, incluindo sauna infravermelha, sauna tradicional e imersão em água quente. Entre nove pesquisas sobre recuperação de curto prazo, quatro encontraram algum benefício, quatro não observaram diferenças e uma registrou pior desempenho após a intervenção. A qualidade das evidências ficou entre baixa e moderada, e os estudos apresentavam risco de viés. Pesquisas menores também indicaram possíveis ganhos em testes de salto, mas não mostraram recuperação consistente de força, velocidade, marcadores de lesão muscular ou inflamação.
O calor pode dilatar vasos sanguíneos, ativar respostas celulares ligadas ao estresse e ajudar na sensação de relaxamento, mas isso não significa que acelere o reparo muscular. Em alguns casos, a melhora imediata pode refletir apenas músculos ainda aquecidos, efeito semelhante ao aquecimento antes do exercício. Especialistas apontam que a sauna infravermelha deve ser vista como estratégia de relaxamento, sem substituir sono adequado, alimentação equilibrada e hidratação. Quem sentir tontura, náusea ou fraqueza deve interromper o uso e resfriar o corpo; pessoas com doenças cardiovasculares instáveis devem buscar orientação médica antes de usar o equipamento.
