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Seca de um lado, enchentes do outro: como o Super-El Niño afetará o Rio

Rio transborda em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, durante chuva no estado. Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo

O Estado do Rio de Janeiro deve enfrentar efeitos diferentes do chamado Super-El Niño, com regiões mais sujeitas ao calor extremo e outras mais vulneráveis a chuvas intensas. O meteorologista Fabio Hochleitner, pesquisador do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da Coppe/UFRJ, afirma que geografia e topografia pesam na forma como cada área sentirá o fenômeno: “Cada região tem sua condição e característica específica e natural”.

No Norte e no Noroeste Fluminense, a tendência apontada pelo pesquisador é de agravamento da aridez, com temperaturas elevadas, ondas de calor, déficit hídrico e risco de queimadas. Campos dos Goytacazes informou que, por estar em uma área de transição climática, não há padrão definido de aumento ou redução das chuvas, mas maior variabilidade das condições meteorológicas. Na Baixada Fluminense, a preocupação envolve calor intenso, baixa umidade, piora da qualidade do ar e risco de inundações; no Leste Fluminense e na Região dos Lagos, chuvas e ilhas de calor também entram no radar.

Na Costa Verde e na Região Serrana, o maior risco está nas chuvas, com possibilidade de inundações e enxurradas. Angra dos Reis, que recebeu em fevereiro mais de 200 milímetros de chuva em seis horas, prevê R$ 300 milhões em obras de contenção e mantém sirenes fixas e itinerantes, pontos de apoio e abrigos. Petrópolis adquiriu um radar meteorológico e tem 45 intervenções de contenção e drenagem em execução ou em fase de projeto, com investimento de quase R$ 62,5 milhões. Nova Friburgo cita a implantação da “Barreira Sabo”, com tecnologia japonesa, e Teresópolis afirma manter ações permanentes de prevenção e monitoramento.

O governo do Rio criou um Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, com 18 órgãos sob coordenação da Defesa Civil, para integrar monitoramento, prevenção e resposta. A meteorologista Itamara Parente, do Inmet, prevê ondas de calor e chuvas irregulares, cuja intensidade dependerá da combinação entre Zonas de Convergência do Atlântico Sul e sistemas frontais. Para Leandro Torres Di Gregorio, professor da Escola Politécnica da UFRJ, os municípios devem revisar planos de contingência e trabalhar com os cenários mais agressivos já enfrentados.