Apoie o DCM

De Bangladesh à Jamaica, a seleção brasileira virou patrimônio global

Seleção brasileira em partida contra o Japão na Copa do Mundo de 2026
Jogadores da seleção brasileira durante partida contra o Japão na Copa do Mundo de 2026. Foto: Reprodução

Vídeos de torcedores em Bangladesh, Líbano, Índia e Jamaica celebrando gols e vitórias do Brasil na Copa do Mundo de 2026 expõem a dimensão global da seleção brasileira. Em lugares sem relação direta com o país ou com a língua portuguesa, a camisa amarela virou símbolo de pertencimento, alimentado por décadas de futebol, mídia e ídolos. Com informações de brasildefato.com.br.

O antropólogo Édison Gastaldo afirma que a imagem do Brasil no futebol permanece associada à alegria, à paixão e ao improviso, mesmo sem título mundial há 24 anos. “No universo das representações sociais sobre a Copa do Mundo, o lugar do Brasil já está consolidado”, diz. Maior campeão da história, com cinco títulos, o país construiu essa reputação com campanhas marcantes e nomes como Leônidas da Silva, Pelé e Ronaldo, símbolos do chamado futebol-arte.

Bangladesh é um dos casos mais emblemáticos dessa paixão. A pesquisadora Leda Maria da Costa afirma que Sheikh Mujibur Rahman, líder do movimento de independência do país, era fã de Pelé e da seleção brasileira, chegou a traduzir a biografia do jogador e a tornou obrigatória nas escolas. Para ela, porém, a permanência desse vínculo dependeu sobretudo de ídolos que atravessaram gerações, de Pelé a Neymar, fenômeno semelhante ao apego local por Maradona, Messi e a Argentina.

O fascínio mundial pelo futebol brasileiro, no entanto, não se converte automaticamente em ganho diplomático. Para Matias Spektor, professor de relações internacionais da FGV, a simpatia pela seleção não significa que outros países vejam o Brasil como modelo de sociedade ou destino de grandes oportunidades. “Não há uma tradução imediata entre a simpatia que comanda o futebol e um desejo de terceiros países de terem sociedades que se pareçam cada vez mais com o Brasil”, afirma.