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A mulher que foi torturada por servidor e foi mantida em cárcere por oito dias

Delegacia da Polícia Civil de Divinópolis – Foto: Polícia Civil/Divulgação

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o caso da mulher de 47 anos que ficou presa em casa por oito dias e sofreu tortura em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. O marido dela, servidor da Prefeitura e coveiro, foi indiciado nesta quarta-feira (01) por tentativa de feminicídio, tortura, cárcere privado, divulgação de cena de nudez e dano.

A delegada Francielly Sifuente afirmou que a vítima ficou sem comida, foi obrigada a usar crack, sofreu queimaduras de cigarro e relatou agressões físicas, sexuais, morais e psicológicas. “Essa vítima sofreu todos os tipos de violência, com exceção da patrimonial. A física, a sexual, a emocional, a moral. Foi um pacote completo de violência e realmente foi um dos crimes mais graves que eu já trabalhei”, disse. A mulher chegou à delegacia desnutrida, ferida, com frio, poucas roupas, falhas no cabelo, um dente quebrado e machucados nas costas.

O homem foi preso em flagrante em 16 de junho, no bairro Padre Eustáquio, depois que um vizinho viu a vítima tentar fugir e acionou a Polícia Militar. Segundo a investigação, ela saiu por um pequeno buraco na porta enquanto o marido comprava drogas, mas ele a viu, puxou-a pelos cabelos e a arrastou de volta para o imóvel. A delegada disse que o investigado pegou uma faca, afirmou que iria matá-la e tentou golpeá-la; a mulher conseguiu se defender até a chegada dos policiais.

A Polícia Civil também apontou que a vítima, que tem deficiência auditiva, ficou isolada porque o suspeito quebrou o celular dela. O inquérito afirma que ele filmou parte das agressões e gravou a mulher nua, ajoelhada sobre grãos, antes de compartilhar as imagens com outras pessoas para humilhá-la. A Prefeitura de Divinópolis afirmou que prepara um projeto de lei para tornar mais rígido o Processo Administrativo Disciplinar em casos de crimes graves praticados por servidores, com medidas administrativas mais ágeis e respeito ao devido processo legal.