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Servidores pagaram até R$ 800 por cartões falsos de vacina da Covid, diz CGU

Vacinação contra a Covid-19
Seringa em procedimento de imunização contra a Covid-19. Foto: Reprodução

Servidores públicos federais pagaram até R$ 800 para obter registros falsos de vacinação contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde. A Controladoria-Geral da União (CGU) puniu sete servidores e um empregado público por compra de certificados adulterados e apresentação dos documentos a órgãos públicos. As sanções saíram no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (23) e variam de 32 a 47 dias de suspensão.

Entre os casos, o processo administrativo aponta que Leandro Mockdece Lacerda, assistente de Tecnologia da Informação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pagou R$ 800 em duas transferências para obter quatro registros falsos no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) e emitir certificados. O professor Theogenes Silva de Oliveira, da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), confessou ter pago R$ 600 por um registro falso e apresentado o certificado à universidade. Já Leandro Henrique Merino Mombach, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), admitiu ter pago R$ 400 por meio de um grupo no Telegram. As suspensões foram de 32, 47 e 42 dias, respectivamente.

As investigações também identificaram uso dos certificados em viagens internacionais. A analista-tributária Ana Carolina Gomes Alziri, da Receita Federal, declarou que nunca se vacinou contra a Covid-19 e usou o documento em uma viagem à Itália; ela recebeu suspensão de 42 dias. O estatístico Natan Sant’Anna Borges, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), emitiu certificado após a inclusão de registros falsos e o utilizou em viagem ao Canadá, com a mesma punição. Entre os punidos ainda estão Daniela Gonçalves da Rocha Barboza, do Hospital das Forças Armadas, Celso Belfort Rizzi Junior, do Hospital Federal dos Servidores do Estado, e Barbara Soares Ferreira Lacerda, do Hospital Federal da Lagoa.

As fraudes lembram a apuração aberta em 2023 sobre indícios de adulteração no cartão de vacinação de Jair Bolsonaro. A investigação administrativa da CGU originou uma operação da Polícia Federal que prendeu Mauro Cid e apreendeu seu celular, usado depois em apurações sobre joias e a suposta tentativa de golpe de Estado. Em março deste ano, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou o inquérito sobre Bolsonaro após a Procuradoria-Geral da República concluir que não havia provas suficientes para confirmar a participação do ex-presidente na inserção dos registros falsos.