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Crise na vida sexual: entenda como estresse e telas afetam os relacionamentos

Casal em momento de intimidade – Foto: Reprodução

O sexólogo José Antonio Barbosa, da Clínica de Saúde Masculina do Boston Medical Center, avalia que ainda é cedo para falar em uma crise sexual generalizada entre casais. Ele cita dados dos Estados Unidos que indicam queda na frequência das relações: em 1990, 55% dos adultos de 18 a 64 anos relatavam fazer sexo ao menos uma vez por semana; em 2024, o índice caiu para 37%. Para o especialista, porém, esses números não permitem concluir que o mesmo fenômeno ocorre em todos os países, já que cada sociedade vive a sexualidade de forma diferente.

Barbosa afirma que a mudança envolve não apenas a frequência, mas também desejo, intimidade e conexão emocional. Hiperconectividade, uso constante do celular, redes sociais, fadiga, estresse e rotina acelerada alteram a forma como os casais se relacionam. O estresse crônico, segundo ele, mantém o corpo em estado de alerta, eleva o cortisol e pode afetar testosterona, ereção, ejaculação, lubrificação, excitação e orgasmo. A pornografia e as interações digitais também criam expectativas irreais sobre desempenho e aparência. “Aprender sobre sexualidade exclusivamente por meio da pornografia é comparável a tentar aprender a voar depois de assistir a um filme do Superman”, diz.

O especialista ressalta que passar meses sem sexo não significa, necessariamente, ausência de amor ou crise emocional. Nos Estados Unidos, cerca de 7% dos casados relataram não ter feito sexo no último ano; entre 15% e 20% dos casais vivem em relacionamentos com pouca ou nenhuma atividade sexual; e cerca de 25% fazem sexo uma vez por mês ou menos. A situação vira problema quando provoca sofrimento, distanciamento, culpa, ressentimento ou grande diferença de desejo entre os parceiros. Para Barbosa, a convivência prolongada pode transformar o casal em administrador da casa, da família e das obrigações, mas comunicação, criatividade e novos espaços de intimidade ajudam a preservar o desejo.