Sexo com inteligência artificial: especialistas alertam para riscos emocionais e éticos

O avanço da inteligência artificial generativa transformou a forma como as pessoas se relacionam e agora chega ao campo da intimidade sexual. Aplicativos como Replika, Character.ai e Grok, da empresa de Elon Musk, são usados por milhões de pessoas para criar laços afetivos e até experiências eróticas com avatares virtuais. O que antes era tema de ficção científica tornou-se realidade, movimentando um novo mercado de companhia digital e interação emocional sob demanda.
Especialistas alertam para os riscos psicológicos dessas relações. O psiquiatra Thiago Henrique Roza, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que “mesmo sabendo que estão conversando com uma inteligência artificial, os usuários desenvolvem respostas fisiológicas e emocionais semelhantes às de uma relação humana”. Segundo ele, o prazer e a validação instantânea podem gerar dependência emocional, isolamento e empobrecimento afetivo, já que os chatbots são programados para agradar e não impor limites.
Além dos impactos emocionais, o sexo com IA traz preocupações éticas e de segurança digital. Plataformas sem moderação adequada podem expor usuários a riscos, inclusive menores de idade, e reforçar estereótipos de gênero com avatares submissos e erotizados. O uso indevido dessas tecnologias levanta debates sobre consentimento, privacidade e responsabilidade das empresas em evitar que a IA reproduza comportamentos abusivos ou sexistas.
