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Silêncio em conflitos pode prolongar sofrimento emocional, diz psicóloga

Imagem ilustrativa sobre silêncio durante conflitos
Imagem ilustrativa sobre silêncio durante conflitos

Encerrar uma discussão não significa, necessariamente, resolver o conflito. Quando a pessoa evita se posicionar e continua revivendo mentalmente frases, respostas e possíveis desfechos, a situação pode permanecer ativa internamente. Para a psicóloga Lilian Barbosa de Rezende, a dificuldade persistente de falar sobre as próprias necessidades pode estar ligada ao medo de abandono e à sensação de ter menos valor.

Esse comportamento pode abrir espaço para a ruminação, tendência de retornar repetidamente a um acontecimento e às suas consequências. Em estudo publicado em 2023 na revista Psychosomatic Medicine, pesquisadores acompanharam 107 casais após discussões sobre problemas do relacionamento. Participantes mais satisfeitos relataram menos ruminação e maior sensação de proximidade; o uso mais frequente de linguagem centrada no “nós” também se associou a menor ruminação.

O silêncio pode funcionar como uma pausa útil quando alguém se afasta para controlar a irritação e pretende retomar o diálogo depois. Mas ele também pode se tornar uma forma de punição ou afastamento, conhecida como silent treatment. Uma pesquisa com 111 casais, publicada em julho de 2026 no Journal of Family Therapy, associou esse padrão a uma pior qualidade do relacionamento. Segundo Lilian, quando o silêncio se transforma em autoabandono, a pessoa pode deixar de reconhecer suas necessidades e intensificar sentimentos de angústia e tristeza.