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Sites americanos adotam medidas enérgicas contra comentários abusivos

Os sites de notícias estão jogando duro com suas mensagens cruéis, grosseiras e, às vezes, obscenas. Tendo que lidar com o inconsciente ilimitado de leitores anônimos que não resistem a enviar comentários desagradáveis sobre artigos online, alguns sites de notícias estão adotando medidas para controlar a irritação verbal. E alguns deles, cansados das confusões que ocorrem quando a liberdade de expressão fica um pouco livre demais, estão simplesmente acabando com os comentários.

Comentários abusivos, que passam dos limites que separam do velho discurso de ódio, são uma praga que existe nos sites jornalísticos há quase tanto tempo quanto os próprios sites. Ao final de um artigo, digamos, sobre questões raciais, frequentemente você depara com uma torrente de comentários racistas de pessoas que se escondem por trás de nomes falsos.

As organizações jornalísticas gostam dos comentários pois eles promovem lealdade e interação, assim como fazem os leitores permanecer no site por mais tempo, uma medida conhecida como “envolvimento” que ajuda a orientar as decisões sobre aquisição de anúncios.

Mas os comentários dos leitores ficaram tão fora de controle, especialmente em artigos sobre crimes, que o jornal Chicago Sun-Times suspendeu, temporariamente, sua seção de comentários no mês passado. Os piores comentários vieram de pessoas que viram um artigo do Sun-Times sobre um crime a partir de um link no site conservador Drudge Report e inundaram o site do jornal para oferecer suas opiniões, disse o chefe de redação, Craig Newman. “Os comentários afugentavam [leitores]”, disse ele. “As pessoas não queriam ler os artigos ou mergulhar nos comentários porque eram muito desagradáveis.”

A revista Popular Science acabou com sua seção de comentários em setembro último, depois que promotores de produtos e trolls [pessoas que enviam comentários deliberadamente provocadores, com a finalidade de irritar] “tornaram impossível uma discussão construtiva”, segundo o Digiday, um site jornalístico que divulgou a decisão da revista.

Alguns dos preferidos da mídia da nova era nunca permitiram comentários dos leitores. O Vox.com, por exemplo, um site que “explica” as notícias, começou a funcionar no mês passado sem uma área de comentários do leitor. “Nós observamos sites que abriram seus comentários e aquilo que deveria ser uma comunidade transforma-se numa série interminável de guerras de mensagens”, escreveu Melissa Bell, cofundadora do Vox, numa mensagem explicando a inexistência do espaço para manifestações.

Para conter a feiura da coisa, organizações jornalísticas passaram a experimentar várias táticas. O Washington Post permite aos leitores que acionem um botão contra trolls denominado “Divulgar como abusivo”, o qual direciona comentários suspeitos para uma equipe de monitoração para possível remoção, disse Bethonie Butler, produtora digital do jornal para desenvolvimento de audiência. O site do Post também tem um botão “Ignore”, que permite ao leitor não ver comentários de um usuário específico.

Quando as coisas ficam turbulentas, o jornal simplesmente suspende os comentários, como fez com artigos sobre Michelle Obama e sobre Chelsea Manning [que ficou conhecido por vazar documentos confidenciais do Exército], assim como com matérias envolvendo mortes e ferimentos graves, como as dos tiroteios no pátio da Marinha, em Washington, no mês de setembro.

Poucas organizações jornalísticas se comparam, em termos de recursos para “curar” comentários, com o New York Times, que conta com 14 pessoas, sete delas em período integral, para verificar os comentários nos artigos. Os moderadores leem cada comentário enviado e aprovam ou recusam, baseados em critérios desenvolvidos ao longo dos últimos sete anos.

Ao contrário de muitos sites jornalísticos, que abrem comentários sobre dúzias de artigos diariamente, o Times limita os comentários a uma média de 18 artigos por dia. A ideia, segundo os editores, é “minimizar a falta de civilidade e destacar comentários que incluam observações pessoais de alguma substância…”

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