Sociólogo Michel Misse: intervenção é paliativo com efeito político publicitário
Reportagem de Fernanda Mena na Folha de S.Paulo.
A intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro é uma aposta alta do presidente Michel Temer (MDB) em um modelo que traz mais efeitos políticos que soluções para a violência urbana fluminense.
É o que aponta o sociólogo Michel Misse, 66, coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
“Num momento de crise e de incapacidade das polícias de dar uma resposta razoável para o medo da população, chamar as Forças Armadas é uma forma politicamente eficiente de produzir, no curto prazo, uma sensação de segurança na cidade”, avalia. “Mas, se o critério for o aumento da violência, tem que intervir no Ceará e em tantos outros Estados com índices mais altos que os do Rio.”
Para Misse, o emprego das Forças Armadas é velho conhecido do Rio, não tem substância em termos de política pública nem resolve problemas que são estruturais. “A militarização da segurança vai no sentido contrário da modernização desejada para o sistema de Justiça Criminal, que compreende polícias, Ministério Público, Judiciário e sistema penitenciário”, diz.
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