VÍDEO: Aos 74 anos, sogra doa rim ao genro e cria laço “quase de sangue”

Pablo Aguiar Pinto, hoje com 52 anos, recebeu um rim da sogra, Clotilde Gianotti, depois que uma doença renal genética levou seus rins à falência. Ele convivia desde 2007 com a doença renal policística autossômica dominante, condição hereditária que já havia provocado mortes entre parentes do lado paterno. Em 2021, entrou em hemodiálise e na fila de transplante.
A família buscou um doador compatível, mas a origem genética da doença impedia a doação por parentes de sangue. A equipe médica também preservou a possibilidade de a esposa de Pablo, Luiza, doar um rim à filha do casal no futuro, caso ela venha a desenvolver a mesma condição. Um cunhado e um amigo fizeram exames, mas não puderam doar.
A alternativa surgiu durante um jantar em família, quando Clotilde, então com 74 anos, se ofereceu para doar um dos rins. “Eu perguntei se podia doar. Todos ficaram em silêncio. Falei: ‘então eu vou doar’”, contou. Segundo a nefrologista Maria Julia Nepomuceno, do Hospital Nove de Julho, a idade isolada não impede a doação; a equipe avalia função renal, ausência de doenças como diabetes e hipertensão, estado geral de saúde e risco cirúrgico. Os exames indicaram compatibilidade de quase 80%.
A cirurgia ocorreu em 10 de maio de 2021, com sogra e genro em salas cirúrgicas vizinhas. O rim ficou cerca de 15 minutos fora do corpo até o implante, e a função renal de Pablo já apresentava melhora no dia seguinte. Desde então, ele não voltou à hemodiálise e mantém acompanhamento médico, com imunossupressores e outros remédios. “Tive uma segunda chance”, disse. Clotilde resumiu a relação criada pela doação: “Tenho um amor eterno pela minha filha. E agora tenho um filho que quase é de sangue também.”
Ver essa foto no Instagram
