Soldado é preso após se negar a limpar banheiro e caso gera denúncia de racismo

Um soldado da Polícia Militar foi preso em flagrante após se recusar a limpar um banheiro na 5ª Companhia da PM em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo. O caso ocorreu na quarta-feira (22) e foi determinado pelo tenente Éder Franco Brandão, que alegou desobediência. A defesa do soldado Emanuel Henrique da Silva, de 31 anos, afirma que ele foi vítima de perseguição e racismo. Após audiência de custódia, Silva foi solto nesta quinta-feira (23).
Segundo o tenente, a ordem para a limpeza do banheiro havia sido dada verbalmente no início de outubro e não foi cumprida. Ele afirmou que o soldado só aceitaria executar a tarefa mediante uma ordem escrita, o que motivou a prisão. Já o policial sustenta que apenas pediu a formalização da ordem, sem se recusar a cumpri-la, e que não realizou o serviço no momento porque outro agente utilizava o banheiro.
A defesa classificou a prisão como abusiva e destacou que a função de Silva não inclui serviços de zeladoria. Em nota, a Federação Nacional de Entidades de Praças Militares afirmou que “tarefas de limpeza devem ser executadas por profissionais da área” e defendeu a exigência de ordem por escrito. A entidade também pediu investigação do caso ao Conselho de Defesa dos Direitos Humanos (Condepe).
O Tribunal de Justiça Militar considerou desnecessária a prisão preventiva pedida pela PM e expediu alvará de soltura. A Polícia Militar informou que o soldado foi liberado e que o caso segue sob apuração interna. Nem o tenente nem o comando da unidade se manifestaram publicamente sobre as acusações de racismo e abuso de autoridade
