Som dos grilos e longe de venenos: a estratégia de sobrevivência do jovem no Pico Paraná

Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, seguiu uma série de estratégias durante os cinco dias em que esteve perdido no Pico Paraná. Ele optou por seguir o curso do rio e se alimentou apenas de uma ameixa e um pedaço de panetone que levava na bolsa. “Não quis correr o risco de consumir algo venenoso”, explicou sobre evitar frutos da mata. Para se orientar, subia em pedras altas para avistar o caminho e se abrigava onde ouvia grilos, sinal de que a noite chegava.
A água era coletada de forma cautelosa. “A garrafa de água eu colocava próximo às pedras, onde batia a água da cachoeira, e meio que a pedra filtrava ela. Eu bebia de pouquinho em pouquinho, porque não sabia o que pode ter na água”, relatou. Diante de um penhasco intransponível, ele tomou uma decisão extrema: “Tinha uma cachoeira de mais de 30 metros e não tinha mais como voltar para trás […] Eu pensei na minha família e pulei”.
Roberto ouviu um helicóptero de busca, mas seus gritos não foram ouvidos. Após andar cerca de 20 km, chegou a uma fazenda em Antonina na segunda-feira (5), onde pediu um celular e ligou para a família. Foi internado para reidratação e recebeu alta na tarde de terça-feira (6).
