Apoie o DCM

Telefone ou videogame? O console brasileiro raro fabricado durante a ditadura vira relíquia

Console SpliceVision com caixa plástica e controles numéricos
Console SpliceVision com caixa, cabos espirais e controles numéricos. Foto: Reprodução

Fabricado em Votorantim, no interior de São Paulo, o SpliceVision virou item raro entre colecionadores. Com caixa plástica, cabos espirais e joysticks com números e asteriscos, o aparelho lançado em 1983 pode ser confundido com um telefone, mas foi uma tentativa nacional de disputar espaço com o Atari nas casas brasileiras.

O console surgiu durante a política de reserva de mercado, no regime militar, que limitava importações e estimulava empresas nacionais a produzir equipamentos de informática. O Grupo Splice, especializado em telecomunicações, criou o aparelho inspirado no ColecoVision, concorrente mais avançado do Atari. Os cartuchos traziam versões em português de jogos internacionais, como “Duende”, “Monkey Dong” e “Jaxxon”.

O SpliceVision não deslanchou por causa dos custos altos, do hardware considerado defasado e da baixa compatibilidade com outros sistemas. Na avaliação de Cleidson Lima, criador do Museu do Videogame Itinerante, o preço convertido para valores atuais poderia ficar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. O ex-gerente geral da Splice Kazuaki Ishizu disse ao documentário “1983 – O Ano dos Videogames no Brasil” que a empresa recorreu a peças “recicladas” de telefonia para viabilizar o projeto.

Um exemplar doado pelo colecionador Carlos Paim, de Fortaleza (CE), integra o acervo do Museu do Videogame Itinerante e ficou exposto no Shopping Iguatemi Esplanada entre 6 e 28 de junho. Reconhecido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), ligado ao Ministério da Cultura, o museu reúne mais de 600 consoles e mais de 6 mil jogos; Cleidson considera o SpliceVision um dos videogames mais raros do mundo.