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“Suco feminino”: anabolizantes podem causar mudanças irreversíveis em mulheres

Mulher pratica exercícios com halteres em academia
Mulher pratica exercícios com halteres em academia. Foto: Reprodução

Nas redes sociais e nas academias, a expressão “suco feminino” passou a identificar o uso de esteroides anabolizantes por mulheres em busca de ganho de massa muscular, redução de gordura ou mudanças rápidas na aparência. A gíria vem do inglês juice, termo informal do universo fitness para essas substâncias, entre elas oxandrolona e gestrinona.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe médicos de prescrever esteroides anabolizantes e hormônios androgênicos para fins estéticos ou de melhora do desempenho esportivo. A restrição não abrange tratamentos hormonais indicados diante de deficiência comprovada. A Anvisa também veta a comercialização e o uso de implantes hormonais manipulados com essas finalidades.

Nas mulheres, a exposição a hormônios com ação semelhante à testosterona pode desregular o ciclo menstrual, prejudicar a ovulação e afetar a fertilidade. Acne, aumento de pelos, queda de cabelo, engrossamento da voz e aumento do clitóris estão entre os possíveis efeitos; alguns podem persistir mesmo após a suspensão. Os anabolizantes ainda podem elevar a pressão arterial, piorar os níveis de colesterol e provocar complicações cardiovasculares e hepáticas. “Não existe uma dose ou período de uso comprovadamente seguro quando o objetivo é apenas estético ou ganho de massa muscular, fora de indicação médica”, afirma o endocrinologista Felipe Henning Gaia Duarte.