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Super El Niño pode trazer seca ao Sudeste e calor extremo ao Brasil

Super El Niño
A previsão da temperatura da superfície do mar para agosto a outubro, com base na média de nove modelos climáticos, indica uma extensa área do Pacífico equatorial com anomalias acima de 2°C. A imagem foi divulgada pelo ECMWF e mostra o comportamento projetado das águas oceânicas para o período. Foto: Divulgação/ECMWF.

Uma nova rodada de previsão do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo indica a possibilidade de um Super El Niño no segundo semestre de 2026. O modelo mantém sinal de aquecimento muito intenso no Pacífico Equatorial, com anomalias superiores a 2°C na região Niño 3.4 já durante o inverno.

A previsão, conclusão realizada pela Dra. Ana Maria Pereira Nunes, pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, aumenta a confiança no cenário porque foi iniciada após o fim da chamada barreira da previsibilidade, período entre março e maio em que os modelos climáticos costumam ter mais incerteza. O sinal de evento forte a muito forte foi mantido, mas meteorologistas destacam que um Super El Niño não significa impactos automaticamente proporcionais em todas as regiões.

No Brasil, o cenário projetado aponta chuvas acima da média no Sul e risco de seca no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste a partir do fim do ano. Em São Paulo, a preocupação envolve o abastecimento hídrico, já que o Sistema Cantareira opera com menos de 40% da capacidade no início de junho e depende da estação chuvosa para se recuperar.