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Tarifa de Trump: como a sobretaxa de 40% vira o novo pesadelo do agronegócio bolsonarista

Plantação no Brasil, e o presidente Donaldo Trump. Fotomontagem: Reprodução/NovaBrasil

O anúncio de Donald Trump mantendo a sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros expôs um desconforto dentro da base rural ligada ao bolsonarismo. Os setores que mais defenderam o ex-presidente agora sentem o peso de uma política comercial que atinge em cheio exportadores de carne, café e frutas. A tensão aumentou porque a medida chega num momento de margens apertadas no campo.

Empresários próximos à bancada ruralista admitem que o impacto financeiro é imediato para quem exporta aos Estados Unidos. O alívio parcial, com reduções tarifárias para outros países, não alcançou o Brasil. Isso criou a sensação de isolamento comercial e levantou dúvidas sobre o discurso tradicional de alinhamento automático com Washington.

Nos bastidores da Câmara e do Senado, parlamentares ligados ao agronegócio discutem como reagir ao tarifaço sem romper com Trump. O problema é político: criticar o presidente americano significa contrariar a base ideológica que ainda idolatra figuras da extrema direita internacional.

O governo brasileiro acompanha o movimento com cautela. A leitura interna é de que o gesto não foi técnico, mas político, e que a manutenção da sobretaxa faz parte da agenda protecionista de Trump. A equipe econômica busca alternativas de rota para contornar a perda de competitividade.