Ficar entediado pode fazer bem? Especialistas apontam benefícios para o cérebro

O tédio não precisa ser apenas uma sensação incômoda. Para a psicóloga Trudy Meehan, professora do Centro de Psicologia Positiva e Saúde da RCSI University of Medicine and Health Sciences, ele pode sinalizar que uma atividade deixou de oferecer desafio, estímulo ou significado suficientes. Em vez de buscar uma distração imediata no celular, em compras online ou na comida, a pessoa pode usar esse desconforto para escolher uma ação mais significativa, como caminhar, criar algo ou procurar amigos e familiares.
Momentos pouco exigentes, como um banho, também podem favorecer a chamada divagação mental produtiva. Com a atenção menos presa a tarefas externas, o cérebro pode fazer novas associações, encontrar saídas para problemas e desenvolver ideias. Para evitar que esse processo se transforme em preocupação ou ruminação, a recomendação é alimentar a mente antes com um projeto criativo, uma questão analítica ou outro desafio que mereça reflexão.
O descanso em estado de vigília — parar por alguns minutos, olhar para o vazio ou rabiscar sem uma tarefa definida — ainda pode ajudar a consolidar informações recém-aprendidas. Segundo Meehan, intervalos de cinco a dez minutos por dia podem proteger memórias novas da interferência de dados irrelevantes. Reduzir a alternância constante entre vídeos, aplicativos e redes sociais também pode melhorar a atenção e tornar mais fácil tolerar momentos sem estímulos.
