Temer abandona plano de retirada de posseiros em terra indígena

Publicado em 9 julho, 2018 10:37 pm

Reportagem de Rubens Valente na Folha informa que, sob pressão de políticos da região, o governo Temer adiou por tempo indeterminado uma operação que deveria retirar mais de 400 famílias de invasores posseiros e garimpeiros de uma terra indígena no Pará. A saída dos posseiros é criticada por parlamentares da bancada ruralista e políticos do Pará, que procuram postergar a medida. O plano de “desintrusão”, nome pelo qual são conhecidas as operações de retirada de invasores, da terra indígena Apyterewa, de 770 mil hectares em São Félix do Xingu e Altamira (PA), ficou pronto no ano passado. A desocupação é uma das condicionantes previstas na licença ambiental para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, inaugurada pela presidente Dilma Rousseff (PT) em maio de 2016.

De acordo com a Folha de S.Paulo, em janeiro daquele ano, o governo retirou a maior parte dos posseiros. Meses após o impeachment de Dilma, Temer criou, em setembro de 2016, um grupo de trabalho interministerial com 14 órgãos, incluindo Casa Civil, Secretaria de Governo, GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e Abin (Agência Brasileira de Inteligência), vinculadas à Presidência, com o objetivo de continuar a desocupação da área.

Em paralelo, o governo deu sequência a medidas iniciadas pelo governo anterior para criar infraestrutura no projeto de assentamento vizinho destinado às famílias retiradas da terra indígena. Com a abertura de estradas, o fornecimento de energia elétrica e água e a construção de casas, o governo criou um projeto de assentamento rural que hoje já abriga parte das famílias retiradas da terra indígena. Ficou faltando a transferência das famílias remanescentes de 2016 e dos invasores considerados de má-fé, ou seja, que entraram na área já sabendo que ela foi homologada como terra indígena pela Presidência da República em 2007. Essa parte da tarefa ficou a cargo de órgãos de segurança e militares, complementa o jornal.

Michel Temer. Foto: Reprodução/YouTube/TVFolha

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