Temer autoriza uso de verba pública em troca de votos para reformar Previdência

Michel Temer decidiu liberar 10 bilhões de reais para obras em redutos eleitorais de deputados que votarem a favor da reforma da Previdência. É o que informa a Folha de S. Paulo, em manchete. O dinheiro sairia de uma folga no orçamento que a reforma proporcionaria caso aprovada. Ou seja, Temer libera o que não tem, o que, em tese, poderia ferir a lei de responsabilidade fiscal. Por muito menos, o Congresso Nacional cassou o mandato de Dilma Rousseff. Segundo o o jornal, o ministro Carlos Marun, coordenador político do governo, tem dito que serão liberados recursos para obras que precisam de pouco dinheiro para serem concluídas. Seriam obras “de campanha”, ou seja, com capacidade de gerar votos quando inauguradas. Trata-se de uso descarado da máquina pública em prol de eleições. É importante registrar que dinheiro para obra, em geral, traz outra vantagens para os parlamentares: compromete os empreiteiros, que, via de regra, recebem do governo e repassam um percentual ao padrinho da verba — no caso, os parlamentares –, via Caixa 2. É o que a Lava Jato mostrou, mas, pelo jeito, pouca coisa mudou.
