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Temer barra na Câmara investigação por corrupção

 

Do Congresso em Foco:

O plenário da Câmara rejeitou há pouco o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para autorizar a análise de denúncia criminal contra o presidente Michel Temer (PMDB), por corrupção passiva, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Antes mesmo do encerramento da votação, os parlamentares da base aliada já comemoravam o resultado assim que foram alcançados 159 votos contrários ao prosseguimento das investigações. Considerando-se o número de parlamentares que registraram presença, as ausências, os votos da oposição e da base aliada e os dissidentes do governo, não há mais condições de se alcançar os 342 votos necessários para a continuidade da análise da denúncia no STF, como determinam a Constituição e o Regimento Interno da Câmara. Assim, fica interrompida a consecução da denúncia.

Com o placar, o pedido da PGR à Câmara para autorizar a análise da denúncia criminal é arquivado temporariamente. Primeiro presidente a ser denunciado por crime comum no exercício do mandato, Temer escapa, por ora, de se tornar o primeiro réu no Planalto, o que o obrigaria a se afastar da Presidência até a conclusão do julgamento. Agora, imposta a maioria governista em plenário, o processo por corrupção tem que esperar ao menos até 1º de janeiro de 2019, quando o peemedebista deixa o governo e perde o foro privilegiado – caso o mandato de Temer, investigado na Operação Lava Jato, não enfrente outro percalço na Justiça, como uma segunda denúncia eventualmente aceita na Câmara.

Os oposicionistas contam, ainda, com o oferecimento de novas denúncias pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, contra o presidente por obstrução à Justiça e organização criminosa. Temer foi denunciado em 26 de junho por corrupção. Para a PGR, o presidente era o destinatário dos R$ 500 mil entregues pelo lobista Ricardo Saud, da JBS, ao suplente de deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), então assessor do presidente, flagrado em vídeo recebendo e transportando a mala de dinheiro.

A base governista fez valer sua maioria e superou até as dissidências internas. À oposição, restou o consolo de ter conseguido protelar a votação, levando-a para a noite, horário em que contava com maior audiência na TV, estratégia adotada para constranger os deputados a votarem para salvar a pele de Temer – maior audiência do país, a TV Globo transmite a sessão ininterruptamente, rara situação em que novelas deram vez à sessão plenária em uma quarta-feira, dia tradicionalmente reservado ao futebol.

Dois discursos polarizaram as discussões ao longo de todo o dia: os apoiadores do presidente atribuíam sua posição à necessidade de estabilidade política e econômica; já os defensores das investigações recorreram à bandeira do combate à corrupção, atribuindo a Temer o papel de liderar uma “quadrilha” no Planalto.

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