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Temer se aproxima de Alckmin para tentar recuperar influência nas eleições

Reportagem de Marina Dias, Daniel Carvalho e Gustavo Uribe na Folha.

Sob risco de ficar isolado na sucessão presidencial, Michel Temer decidiu fazer gestos públicos aos principais atores de seu bloco político para tentar recuperar influência na construção das alianças da próxima eleição.

Nos últimos dias, o Planalto deu sinais de reaproximação com Geraldo Alckmin (PSDB), enquanto apresentou restrições a uma possível candidatura de Henrique Meirelles e tentou erguer barreiras às articulações de (DEM).

A ideia original de Temer e seus auxiliares era organizar, em parceria com Maia, uma coalizão única dos partidos governistas. Esse grupo lançaria um candidato para defender a gestão do presidente e disputar com o tucano o eleitorado localizado mais ao centro do espectro político.

Os principais ministros de Temer estavam incomodados, desde o fim do ano passado, com o fato de Alckmin ter acelerado as negociações com parte dessas siglas de maneira isolada, minando a unidade do bloco.
Além disso, os aliados do presidente acreditavam que os movimentos de Maia para tentar viabilizar uma candidatura majoritária reduziriam o protagonismo de Temer como líder dessa aliança.

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O presidente também investiu contra os movimentos de Maia, que em poucos meses fechou acordos com dois partidos dessa coalizão (PP e Solidariedade) e abriu negociações com o PR, ao receber nesta quinta (11) o ex-deputado Valdemar Costa Neto.

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Segundo auxiliares, Temer percebeu que Maia começava a aglutinar um bloco partidário próprio, que poderia, em última instância, excluir o presidente e seu partido, o MDB, das negociações.

Com as recentes declarações, Temer quis mostrar que ainda é um ator importante para a montagem da aliança.

O aceno a Alckmin sinaliza que o presidente poderia ajudar o governador paulista na construção de acordos com partidos de sua base.

Diante das tensões, aliados de Maia ainda consideram incerta a viabilidade da candidatura do presidente da Câmara. Acreditam que ele só vai adiante se atingir entre 8% e 10% das intenções de voto até junho.

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Ao se reposicionar, Temer se descola do nome que era considerado o candidato natural do governo, Henrique Meirelles. O ministro da Fazenda não passou de 2% nas pesquisas, não agrada aos partidos do “centrão” -nem mesmo à sua sigla, o PSD- e, na visão do presidente, precisa continuar focado na condução da agenda econômica.

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Presidente Michel Temer acompanhado do Governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante a cerimônia de Outorga de Título de Cidadania Ituana ao senhor José Eduardo Bandeira de Mello. Foto: Marcos Corrêa/PR