‘Temer terá que ter relação muito boa com Senado; se perder 3 votos, a Dilma volta’, diz Perrella

Publicado em 14 maio, 2016 8:41 am

Da BBC:

Em entrevista logo após a sessão do Senado que aprovou o processo de impeachment, o senador Zezé Perrella (PTB-MG) disse à BBC Brasil que as pedaladas fiscais não foram o motivo que levou a presidente Dilma Rousseff a ser afastada do cargo pelo Congresso.

Segundo ele, a petista caiu por sua “prepotência” e pelas “trapalhadas do governo”.

Perrella, que foi alvo de escândalo em 2013 quando quase 500 kg de pasta de cocaína foram encontrados em um helicóptero de sua família que pousava no aeroporto de Afonso Cláudio, no Espírito Santo, disse que “já teve de enfrentar a insatisfação do povo (como Dilma enfrenta agora), mas que era uma situação diferente” e reiterou que “não se preocupa com as ruas, mas sim com a sua consciência”.

O senador, que votou a favor da admissibilidade do impeachment, disse ainda que Temer precisará ser cuidadoso na articulação com o Congresso para não correr o risco de perder o posto na votação definitiva do julgamento de Dilma no Senado – em que serão necessários dois terços dos votos para garantir o impedimento da presidente.

“Eu espero que ele tenha sensibilidade para fazer o contrário do que a Dilma fez”, concluiu.

Leia a entrevista:

BBC Brasil – Nestas últimas semanas, o senhor foi um dos principais defensores do afastamento da presidente Dilma Rousseff. Qual é a sua avaliação do resultado?

Zezé Perrella – Eu esperava uma situação mais confortável. Nós esperávamos algo em torno de 58, 59 votos. (…) Do jeito que ficou, o Michel Temer não está numa situação tão confortável assim. Ele vai ter que ter uma relação muito boa com o Senado Federal, porque, se perder três votos aqui, a Dilma volta.

Pode parecer incoerente a pessoa votar hoje a favor e amanhã não, mas a política é muito dinâmica. O que espero é que o Michel consiga agora implementar sua agenda, que ele tenha o apoio do Congresso Nacional e do Senado principalmente, para que ele possa desenvolver os projetos que ele tem em mente.

Nós não podemos pensar no impeachment somente pelas pedaladas fiscais. Dilma caiu pela prepotência, caiu pelo aparelhamento do Estado, caiu principalmente pela insatisfação das pessoas nas ruas, caiu pelo desemprego. Estamos num momento muito sensível da vida nacional. Qualquer passo em falso do Michel Temer daqui para a frente… se ele não conseguir aprovar a reforma da previdência, a CPMF, e alguns temas polêmicos necessários ao ajuste fiscal, ele terá muita dificuldade.

(…)