A teoria que pode explicar as dores por trás da endometriose

A endometriose, uma das doenças mais subdiagnosticadas da saúde feminina, atinge cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva. Para facilitar a compreensão dos sintomas, o ginecologista Igor Chiminacio, especialista em endometriose profunda e cirurgia minimamente invasiva, criou a “Teoria do Polvo”, modelo que compara o útero à cabeça do animal e os paramétrios, tecidos que sustentam o órgão, aos tentáculos.
O especialista afirma que a doença costuma se desenvolver justamente nesses tecidos de sustentação, que envolvem vasos sanguíneos e nervos. Por isso, os sintomas podem aparecer longe da pelve, com dor nas costas, lombar, virilha, pernas, quadril, durante relações sexuais, ao evacuar ou até em atividades físicas. “Durante muitos anos, a doença foi explicada olhando apenas para os focos visíveis da endometriose. Mas o problema vai muito além deles”, diz Chiminacio.
Mulheres com endometriose podem levar entre oito e dez anos até receber o diagnóstico correto, período em que muitas passam por diferentes especialistas e exames. A avaliação médica é recomendada quando há cólicas intensas ou incapacitantes, dor para urinar ou evacuar principalmente no período menstrual, dor pélvica persistente ou dificuldade para engravidar. A identificação precoce amplia as chances de tratamento adequado e de preservação da qualidade de vida e da fertilidade.
