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Terras raras em MG ameaçam água e comunidades, dizem especialistas

Área urbana em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais
Área urbana em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. Foto: Reprodução.

Projetos de extração de terras raras no sul de Minas Gerais acenderam alertas entre especialistas por possíveis impactos hídricos e ambientais. O Projeto Caldeira, da Meteoric Resources, e o Colossus, da Viridis Mining & Minerals, ambas empresas australianas, avançam em uma região que inclui Poços de Caldas, Caldas e Andradas e concentra mananciais, nascentes e áreas de recarga de aquíferos. Com informações de brasildefato.com.br.

Poços de Caldas, município com cerca de 170 mil habitantes, construiu parte de sua história em torno das águas termais. A arquiteta e urbanista Nathália Francisco, pesquisadora da UFMG, afirma que a mineração pode pressionar áreas sensíveis da Bacia Hidrográfica Vargens de Caldas, apontada como último manancial superficial de águas para abastecimento público. O Projeto Colossus prevê a movimentação de cerca de 5 milhões de toneladas de solo por ano, e a captação estimada chega a cerca de 3 milhões de litros de água por dia durante a operação.

A proximidade com áreas habitadas amplia a preocupação. “Uma das áreas de cava do Colossus se encontra a menos de 300 metros de distância das moradias das famílias, além de hospitais, escolas, creches e centros de atendimento a idosos, a menos de 500 metros de distância do empreendimento”, disse Francisco ao Brasil de Fato. Especialistas também citam poeira, ruído, vibrações, iluminação noturna, aumento de circulação de caminhões e insegurança sobre a qualidade da água e do ar.

O beneficiamento das terras raras envolve etapas químicas, como lixiviação com sulfato de amônio e ácido sulfúrico, e pode exigir monitoramento contínuo de águas superficiais e subterrâneas. A geóloga e analista ambiental Ângela Santos alerta para o rebaixamento do lençol freático e a perda de áreas de infiltração. Procurada pelo Brasil de Fato MG, a Meteoric afirmou que seus estudos hidrogeológicos indicam gestão hídrica estruturada, recirculação de água e monitoramento contínuo; a Viridis Mining and Minerals não respondeu até a publicação da reportagem original.