Teste de DNA encerra mistério de ativista desaparecida na ditadura chilena

Um teste de DNA confirmou que a chilena Bernarda Rosalba Vera Contardo, incluída por mais de cinco décadas na lista oficial de desaparecidos da ditadura de Augusto Pinochet, está viva e mora na província de Buenos Aires, na Argentina. A Justiça chilena comunicou o resultado à família após comparar o perfil genético dela com amostras guardadas pelo Serviço Médico Legal do Chile; o exame apontou probabilidade superior a 99,9999% de identificação.
Professora e militante do Movimento de Esquerda Revolucionária, Bernarda constava como vítima de desaparecimento forçado desde o golpe militar de 11 de setembro de 1973. O Relatório Rettig, produzido após o fim do regime, apontava que ela havia sido presa em outubro daquele ano e executada em Villarrica com outros 15 detidos. A filha de Bernarda tinha cinco anos quando perdeu contato com a mãe e forneceu a amostra usada no teste.
O Plano Nacional de Busca, Verdade e Justiça passou a investigar a hipótese de que ela estivesse viva em 2024, após a jornalista Pascale Bonnefoy encontrar inconsistências nos relatos sobre o caso. As apurações indicam que Bernarda atravessou a Cordilheira dos Andes rumo à Argentina no fim de 1973, conseguiu asilo político e nacionalidade sueca, onde formou uma nova família. Em 1999, ela deixou a Suécia e retornou à Argentina, segundo registros migratórios.
