Testosterona: qual é o nível considerado normal e quando se preocupar

A testosterona costuma ser tratada como um marcador de masculinidade, mas médicos consideram saudável uma faixa ampla do hormônio: cerca de 300 a 1.000 nanogramas por decilitro de sangue. O tema ganhou força nos Estados Unidos depois que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou em julho que militares americanos com 30 anos ou mais fariam testes anuais, sem definir qual resultado exigiria tratamento. No mesmo país, prescrições chegaram a quase 12 milhões em 2025, alta de 154% desde 2020, impulsionadas em grande parte por clínicas online que vendem reposição como ferramenta de bem-estar.
O hormônio participa da puberdade, do ganho de massa muscular, do crescimento de pelos e da produção de espermatozoides, mas seus níveis caem naturalmente na vida adulta, em geral a partir dos 30 anos. A reposição pode ajudar quando a queda vem acompanhada de sintomas como fadiga extrema, baixa libido ou perda drástica de massa muscular, desde que tenha supervisão médica. Dentro da faixa considerada normal, porém, um homem com 700 ng/dL não tende a ser mais forte do que outro com 300 ng/dL; treino, sono e alimentação pesam mais para a força real. A suplementação sem necessidade ainda pode reduzir a produção natural do hormônio, diminuir os testículos, suprimir espermatozoides e causar acne, calvície e crescimento de tecido mamário.
Pesquisas também enfraquecem a ideia de que mais testosterona torna homens automaticamente mais agressivos ou dominantes. Uma análise de 45 estudos com quase 10 mil pessoas encontrou apenas pequena correlação entre o hormônio e agressividade, e experimentos posteriores apontaram evidências fracas de causalidade. No caso militar, fatores como privação de sono, estresse crônico, explosões e má alimentação podem derrubar a testosterona, o que torna o debate menos uma questão de “otimização” hormonal e mais de condições de saúde.
