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Therians: o sofrimento da comunidade de pessoas que se identificam como animais

Jovens “therians”. Foto: reprodução

O fenômeno “therian”, que viralizou no TikTok, vai além da brincadeira ou expressão juvenil. Para o psicanalista e psiquiatra infantojuvenil Francisco Guerrini, o comportamento pode mascarar sofrimento emocional e ausência de figuras de identificação. “A primeira coisa que se deve pensar é se há sofrimento”, afirma. Segundo ele, muitos pré-adolescentes e adolescentes buscam nas comunidades virtuais um pertencimento que falta no ambiente familiar.

Guerrini destaca o papel central das famílias. “A figura central do pai não está ocupando o lugar ideal de identificação”, pontua. Ele alerta que, embora haja uma dimensão lúdica, é preciso ficar atento a sinais mais graves. “Quando começam a morder, já se trata de outra problemática, mais próxima de um episódio psicopatológico”, adverte.

O especialista também critica o uso excessivo das redes sociais. “O pensamento crítico se perde com o uso excessivo das telas. Isso tem impacto neurobiológico: a córtex frontal é reduzida, e as pessoas não conseguem se concentrar nem estudar”, conclui.