“Tigrinho” ilegal faz Brasil perder R$ 11 bilhões por ano com ajuda de influenciadores

Influenciadores digitais têm sido peça-chave na expansão de sites ilegais de apostas, conhecidos como “tigrinhos”, que causam prejuízo anual de até R$ 10,8 bilhões à economia brasileira, segundo estudo da consultoria LCA e do Instituto Brasileiro do Jogo Responsável. A maior parte dessa perda vem da evasão de impostos, valor próximo ao orçamento federal de Ciência e Tecnologia previsto para 2025.
Cerca de 80% dos acessos às plataformas não autorizadas começam em publicidades feitas por influenciadores, segundo Roger Amarante, diretor financeiro da S8 Capital. “Os outros 20% vêm de mensagens por SMS e WhatsApp. O fato de o problema ter essa dimensão é culpa dos influencers, sim”, afirmou. De cada quatro brasileiros que apostam, três usam sites sem registro.
Relatos no site Reclame Aqui mostram que muitos apostadores não conseguem sacar ganhos, têm contas bloqueadas ou perdem todo o dinheiro quando os sites simplesmente desaparecem. A Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, afirma ter derrubado 15 mil plataformas e removido 112 perfis das redes por publicidade de jogos ilegais no primeiro semestre de 2025, mas o número de novas contas cresce rapidamente.
Os responsáveis pelos sites registram domínios fora do país, o que dificulta rastrear os operadores brasileiros. Já os influenciadores se beneficiam da fragilidade da lei: explorar jogos de azar é contravenção penal com pena leve, geralmente convertida em multa, cesta básica ou serviços comunitários.
