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“Tínhamos fundamentos para anular a Lava Jato antes das mensagens”, diz Zanin

Da Coluna de Bela Megale no Globo:

Zanin e Lula

Mergulhado em uma batalha judicial com a Lava Jato há mais de cinco anos, o advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, conseguiu ontem uma das suas maiores vitórias da carreira.

Por 3 votos a 2, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou que o ex-juiz Sergio Moro atuou de maneira parcial no caso do triplex.

No início do mês, Zanin celebrou outra conquista, a anulação de condenações do petista proferidas pela Lava Jato, por meio de uma decisão do ministro Edson Fachin.

Em entrevista à coluna, Zanin criticou duramente a operação e disse que “não há legado positivo na Lava Jato”.

Questionado por que tantas decisões de Moro foram referendadas por outros tribunais, afirma que a “Lava Jato conseguiu causar anestesia, por certo período, na sociedade e nas cortes”, por meio de ações midiáticas e campanhas de marketing.

O advogado também diz que integrantes da operação difundiram a ideia de que “as defesas de acusados eram coniventes com ilegalidades”.

Para Zanin, a postura estimulou ataques não só a ele, mas a outras defesas que atuaram no caso.

“Foram vários dessabores. Cheguei a ser abordado em aviões. Houve uma tentativa de organizar um protesto contra mim por pais de alunos, numa reunião na escola dos meus filhos”, relatou.

(…) Qual o impacto das mensagens vazadas da Lava Jato nas vitórias de Lula?

As mensagens não trazem nada de novo em relação aos argumentos que apresentamos desde 2015. O que elas mostram são as entranhas da Lava Jato e detalhes de como as ilegalidades ocorreram. Os votos dos ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski ressaltam que os fundamentos que apresentamos eram suficientes para o reconhecimento da parcialidade de Moro. As mensagens foram lidas a título de ilustração, para indicar a gravidade que a situação revela. Tínhamos todos os fundamentos para anular as decisões da Lava Jato antes de termos acesso às mensagens. Com elas, porém, houve um reforço da nossa denúncia.

(…)