“Não temos saída”: tráfico obriga moradores a usar sua internet

Moradores de bairros do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana denunciam que facções criminosas passaram a controlar a oferta de internet em áreas sob seu domínio. As investigações da Polícia Federal apontam que traficantes cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares para forçar clientes a contratar provedores autorizados pelos grupos.
No Engenho da Rainha, na Zona Norte, um comerciante relatou que as grandes operadoras deixaram de atender a região após ataques à fiação e interrupções na manutenção. “Hoje a gente é obrigado a assinar uma internet chamada Oliver Net, a famosa internet do tráfico. E a gente não tem saída”, afirmou. Em Benfica, os pacotes cobrados variam de R$ 104 a R$ 154, com multa de R$ 20 por atraso, segundo moradores. Em Itaboraí, clientes disseram pagar até R$ 120 por um serviço que consideram ruim e sem opção de concorrência.
Na terça-feira (20), a Polícia Militar prendeu cinco pessoas durante uma operação na Vila Kennedy, na Zona Oeste, que também mirou a exploração irregular de internet. Na segunda-feira (19), a PF deflagrou a Operação Backbone contra um esquema atribuído ao Comando Vermelho nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. A ação terminou com 20 presos e apura a cobrança de taxas mensais para que provedores operassem nas áreas controladas pela facção.
