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Traição é normal? Especialista diz que desejo por outras pessoas é natural; entenda

Imagem ilustrativa de traição. Foto: Reprodução

A psicanalista Regina Navarro Lins afirmou, em entrevista ao gshow publicada nesta sexta-feira (20), que a traição deve ser analisada a partir de aspectos culturais e sociais que influenciam a forma como as pessoas se relacionam. Autora de 14 livros, entre eles “Novas Formas de Amar”, ela disse que o amor, como é entendido hoje, é uma construção social e que, atualmente, predomina o chamado amor romântico. Segundo Regina, “O amor romântico prega que os dois têm que se transformar num só, que só tem graça qualquer coisa se o seu amado estiver presente. Então, ele anula as individualidades”.

Na entrevista, ela também tratou da relação entre amor e exclusividade. Segundo ela, a monogamia é apresentada culturalmente como padrão e alimenta a ideia de que quem ama não sente desejo por outras pessoas. A psicanalista afirmou: “O amor romântico prega que quem ama não se interessa por mais ninguém. Isso é uma grande mentira e gera muito sofrimento”. Ainda de acordo com ela, uma pessoa pode manter sentimento amoroso e, ao mesmo tempo, sentir desejo por terceiros: “Você pode amar profundamente uma pessoa e ter desejo de se relacionar com outras, ou até amar outras pessoas”.

Ao comentar relações extraconjugais, Regina disse que, em muitos casos, elas não estão ligadas à insatisfação no relacionamento principal, mas ao desejo de variedade. “Na maioria das vezes, as pessoas, mesmo amando, têm relações fora do casamento ou do namoro porque querem variar. E variar é bom”, afirmou. “[A traição] Não está ligada à insatisfação no relacionamento. Quem tem uma relação fora [simplesmente] não acredita nessa imposição cultural de que é fundamental ser exclusivo”, acrescentou. Sobre repetição desse comportamento, ela disse: “Uma pessoa que já se libertou não vai ter problema em ter mais de uma relação extraconjugal”.