Tropas russas chegam à Crimeia
Tropas sem identificação, mas claramente russas – algumas em veículos com placas registradas na Rússia – já tomaram a Crimeia, república autônoma da Ucrânia.
A Crimeia é uma península isolada no Mar Negro, e Moscou tem uma base militar lá.
Putin pediu ao Parlamento para aprovar o uso da força “em conexão com a situação extraordinária na Ucrânia, a ameaça à vida dos cidadãos da Federação Russa, os nossos compatriotas” e para proteger a Frota do Mar Negro na Crimeia.
A Câmara Alta rapidamente aprovou o pedido de forma unânime em uma votação que foi transmitida pela TV.
A autorização durará “até a normalização da situação sociopolítica no país”, disse Putin em seu pedido. Sua justificativa – a necessidade de proteger os cidadãos russos – era a mesma que ele usou para lançar uma invasão da Geórgia, onde as forças russas tomaram duas regiões separatistas e as reconheceram como independentes em 2008.
Até agora não houve nenhum sinal de ação militar russa na Ucrânia para além da Crimeia, a única parte do país com uma maioria étnica russa, que em muitas vezes expressou intenções separatistas.
Enquanto a tensão aumentava neste sábado, manifestações se tornaram violentas em cidades do leste, onde a maioria das pessoas, embora etnicamente ucraniana, fala russo, e muitas apoiam Moscou e o presidente deposto Viktor Yanukovich.
O ritmo acelerado dos acontecimentos abalou os novos líderes da Ucrânia, que tomaram o poder em um país à beira da falência quando Yanukovich fugiu de Kiev na semana passada depois de a polícia matar dezenas de manifestantes da oposição na capital do país.
A crise na Ucrânia começou em novembro do ano passado, quando Yanukovich, sob pressão de Moscou, desistiu de assinar um pacto de livre comércio com a UE para estreitar os laços com a Rússia.
Na Crimeia em si, a chegada das tropas foi aplaudida pela maioria russa. Na cidade costeira de Balaclava, as famílias posaram para fotos com os soldados.
“Eu quero viver com a Rússia. Eu quero me juntar à Rússia”, disse Alla Batura, de 71 anos, que viveu em Sebastopol por 50 anos. “Eles são bons… estão nos protegendo, assim nos sentimos seguros.”
Para muitos na Ucrânia, a perspectiva de um conflito militar era arrepiante. “Quando um eslavo luta contra outro eslavo, o resultado é devastador”, disse Natalia Kuharchuk, uma contadora em Kiev. “Que Deus nos salve.”
Saiba Mais: Reuters
