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Trotes de curso de medicina em universidade têm agressões e exposição de genitais

Trotes de curso de medicina da Unisa
Campanha da Unisa contra trote / Reprodução

Os trotes do curso de medicina da Unisa (Universidade Santo Amaro), em São Paulo, envolvem um lista de constrangimentos relatados pelos calouros. Segundo reportagem do UOL,  as opressões implicam em tapas, socos e cuspe no rosto, humilhações públicas e nos meios digitais.

As humilhações incluem faxinar a casa de veteranos, ajoelhar-se para ouvir xingamentos aos gritos, aceitar apelidos (inclusive de cunho racista), seguir regras de vestimenta e de circulação, além de enviar ou receber fotos de genitais masculinos por aplicativos de mensagens.

A lei 10.454 do estado de São Paulo proíbe trotes “sob coação, agressão física, moral” ou outros constrangimentos que representem risco à saúde ou à integridade física dos alunos desde 1999. Quem pratica pode ser expulso ou sofrer sanções penais e civis. As universidades devem tomar medidas necessárias para impedir o trote e punir os praticantes. Caso isso não ocorra, a instituição responderá por omissão ou condescendência.

De acordo com alunos e ex-alunos, a presença de estudantes de famílias de médicos reconhecidos em hospitais paulistas dificulta a punição aos responsáveis. Procurada ao menos 13 vezes pela reportagem, a Unisa não se pronunciou sobre o assunto. A atlética nega qualquer relação com os abusos e afirma ser contra o trote.

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Trotes violentos na Unisa acontecem desde 2009

Segundo a reportagem, os trotes violentos acontecem pelo menos desde 2009. A maioria dos veteranos que aplicam a prática, de acordo com o relato de fontes, são atletas que representam a faculdade em jogos ou são filiados à atlética.

Assim que um estudante de medicina entra na Universidade, segundo os relatos, recebe um manual de regras em grupos de WhatsApp. Mulheres não podem usar acessórios ou roupas decotadas. Homens precisam raspar o cabelo. Essa padronização serve para diferenciar os veteranos dos calouros. Quem se submete a humilhação tem a expectativa de conseguir uma vaga de residência no futuro. Quem se recusa a participar sofre consequências de exclusão mesmo depois de formado.

Em 2011, a Unisa anunciou por meio de um informe a proibição de “qualquer tipo de trote que cause constrangimento aos alunos”, de acordo com orientações do Ministério Público. Em janeiro deste ano, a universidade lançou a página Diga Não ao Trote, que reforça a proibição e a “importância de uma recepção acolhedora”.

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