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Tucanos estão apavorados com caso de Paulo Preto, operador do PSDB

Reportagem da Folha de S.Paulo.

Reservadamente, aliados de uns atribuem aos outros o elo com Paulo Preto, amigo de longa data do ministro Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores) e diretor da Dersa nos governos Alckmin, em 2005 e 2006, e Serra, de 2007 a 2010.

A avaliação feita no tucanato é que a revelação é grave porque dificilmente incontestável e o volume de dinheiro, alto. O montante é maior que o dobro encontrado no bunker ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (R$ 51 milhões em dinheiro vivo).

Investigado sob suspeita de ser operador do hoje senador José Serra (PSDB-SP) em desvios de recursos do Rodoanel, Paulo Preto, por meio de sua defesa, anexou decisão que estava sob sigilo no inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal).

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No entorno de Serra, considera-se que o dano de imagem ao senador é grave, ainda que juridicamente possa haver saídas, inclusive a prescrição.

Investigado na Operação Lava Jato, o tucano desistiu de disputar eleições neste ano. Ele era cotado para o governo paulista, mas ainda tinha desejo de concorrer à Presidência. Seu mandato no Senado está na metade.

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Assessores de Alckmin, porém, dizem que as acusações têm delimitação temporária clara. Vão de 2007 a 2010, quando Serra estava à frente do Palácio dos Bandeirantes. 

Para o grupo do governador, será inevitável que o noticiário da Lava Jato e correlatos se intensifiquem conforme avança o calendário eleitoral. 

Alckmin deve ser o candidato do PSDB à Presidência.

Interlocutores de Aloysio, que se prepara para deixar o governo e disputar a reeleição no Senado, lembram que o tucano sempre reafirma a sua amizade com Paulo Preto, independentemente das acusações. Mas mostram irritação com a associação feita entre ambos —o ministro teve inquérito desmembrado.

Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa (Facebook/Reprodução)