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Uma a cada 4 adolescentes brasileiras não receberam nenhuma dose da vacina do HPV

Vacina contra o HPV. Foto: ilustração

O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo, e a vacina é a principal forma de prevenção, oferecida gratuitamente pelo SUS desde 2014. No entanto, um estudo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, analisou dados de mais de 80 mil meninas de todo o Brasil e encontrou um cenário alarmante: 26,4% das adolescentes não receberam nenhuma dose da vacina contra o HPV.

A pesquisa, baseada na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019, mostra que a porcentagem varia conforme o estado. O menor índice foi registrado no Espírito Santo (17,3%) e o maior no Rio Grande do Norte (34,2%). As desigualdades socioeconômicas e a escolaridade materna também influenciam, com padrões diferentes em cada região. Na Bahia e no Mato Grosso do Sul, por exemplo, a maior proporção de meninas não vacinadas pertence a famílias mais ricas.

Uma das explicações levantadas pelos pesquisadores é a desinformação disseminada por movimentos antivacinas nas redes sociais. “Vários aspectos influenciam essa desigualdade regional, como organização dos serviços de saúde, distância das estruturas de saúde, falta de profissionais e financiamento insuficiente”, afirma Fernando Wehrmeister, um dos autores. A baixa adesão pode, no futuro, sobrecarregar o SUS com casos de câncer e outras complicações relacionadas ao HPV.