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Uso banal de ‘gatilho’ pode distorcer conceito psicológico; entenda

Mulher apresentando confusão mental. Foto: Reprodução/A Mente é Maravilhosa

Especialistas em saúde mental afirmam que o uso banal da palavra “gatilho” pode distorcer um conceito ligado originalmente à psicologia do trauma. A psicóloga Rachel Needle diz que pacientes usam o termo para situações muito diferentes, de aborrecimentos cotidianos a lembranças devastadoras de eventos traumáticos, o que faz a palavra perder parte de seu significado clínico.

Na psicologia, o termo costuma se referir a uma pista ou experiência capaz de provocar um flashback em pessoas que passaram por trauma. Lisa Damour, psicóloga clínica e consultora sênior do Schubert Center for Child Studies da Case Western Reserve University, define trauma como “um evento avassalador que supera a capacidade de uma pessoa de lidar com a situação no momento”. Segundo ela, um cheiro, som, lugar ou situação pode levar a pessoa a sentir que revive o episódio traumático.

Yael Schonbrun, psicóloga clínica da Universidade Brown, afirma que incorporar termos psicológicos ao vocabulário popular pode reduzir estigmas e ajudar pessoas a descreverem suas experiências. Ao mesmo tempo, o uso excessivo pode minimizar a vivência de quem tem histórico de trauma ou transtornos de saúde mental e incentivar formas prejudiciais de lidar com situações difíceis, como a evitação.

Needle avalia que usar “gatilho” para descrever incômodos cotidianos pode fazer as pessoas confundirem desconforto com perigo. Ela sugere frases mais específicas, como “Isso realmente me frustrou” ou “Isso me lembrou de algo difícil que aconteceu no passado”. “Esse tipo de linguagem é mais preciso”, diz Needle, “e também ajuda as pessoas a entenderem o que você está realmente sentindo e precisando naquele momento”.