Performance ou risco? A nova moda da tadalafila que preocupa especialistas

A tadalafila, popularmente chamada de “tadala”, ganhou espaço entre homens jovens que buscam melhorar o desempenho sexual e também em academias, onde alguns usuários associam o remédio ao aumento temporário do volume muscular após o treino. Médicos lembram que a substância tem indicações específicas, como disfunção erétil, sintomas urinários ligados ao aumento benigno da próstata e hipertensão arterial pulmonar.
O consumo cresceu fortemente no Brasil. Segundo a Anvisa, o país vendeu 74,9 milhões de caixas em 2025, ante 64,7 milhões no ano anterior e 3,2 milhões em 2015. Os dados não mostram a idade dos consumidores, mas especialistas relatam aumento do uso recreativo entre homens mais jovens e apontam a compra livre em farmácias como um fator que facilita esse comportamento.
Gustavo Marquesine Paul, da Sociedade Brasileira de Urologia, afirma que o remédio não provoca dependência química, mas pode criar dependência psicológica. “A tadalafila não causa dependência química, mas pode favorecer uma dependência psicológica. Esses homens passam a acreditar que só conseguirão ter um bom desempenho sexual se estiverem usando o medicamento”, diz.
Os efeitos adversos mais comuns incluem dor de cabeça, dores musculares, congestão nasal, vermelhidão no rosto, azia e queimação no estômago. Médicos também citam riscos mais raros, como priapismo, alterações visuais e auditivas e queda importante de pressão, especialmente quando o usuário combina o remédio com álcool, energéticos, estimulantes, anabolizantes, drogas recreativas ou suplementos de procedência desconhecida. Especialistas afirmam que não há evidências de benefício para desempenho sexual ou físico em homens saudáveis.
