Uzbequistão: o país da Copa que “esconde” R$ 12 bilhões de “ouro branco” na bandeira

O Uzbequistão, país cuja seleção disputa a Copa do Mundo de 2026, fica na Ásia Central e faz fronteira com Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Afeganistão e Turcomenistão. Sem saída para o mar, o território fica entre os rios Syr Darya e Amu Darya, tem clima árido e quase quatro quintos de área de aparente deserto, segundo a Enciclopédia Britânica.
O país tem 37,7 milhões de habitantes em 2026, o uzbeque como idioma oficial e população majoritariamente muçulmana sunita, de acordo com a mesma fonte. O presidente Shavkat Mirziyoyev chefia o Estado desde 2016, e Abdulla Aripov ocupa a chefia de governo desde o mesmo ano, em uma república presidencialista autoritária.
O algodão ajuda a explicar a referência da bandeira: o branco representa, além da paz, a abundância do produto no país, que ocupa a sétima posição entre os maiores produtores mundiais. Em 2025, o Uzbequistão arrecadou US$ 2,3 bilhões, cerca de R$ 12 bilhões, com exportações de produtos têxteis, segundo o Comitê Nacional de Estatísticas do Uzbequistão. Nos quatro primeiros meses deste ano, o valor chegou a US$ 454,5 milhões.
O avanço ocorre após 11 anos de boicote internacional ao algodão uzbeque por causa do trabalho forçado. A Cotton Campaign denunciou a prática em 2007, e Banco Mundial e Organização Internacional do Trabalho apontaram que o governo forçava mais de dois milhões de pessoas, incluindo crianças, a trabalhar na colheita. O boicote terminou em 2021, quando a OIT concluiu que o setor algodoeiro não tinha mais trabalho forçado. Depois disso, o governo cooperou com o monitoramento da OIT, eliminou o controle estatal sobre a produção e abriu espaço para empresas privadas que atuam do plantio à fabricação de roupas, tecidos, meias, tapetes e fios.
