“Vai me bater na frente dele?”: Pai acuado por PM fala sobre agressão

Do UOL:
Gideão Messias da Silva ainda não se recuperou física e emocionalmente dos momentos de pavor que passou no último domingo (26), no estádio Moisés Lucarelli. Vindo de Hortolândia, cidade do interior de São Paulo, ele virou o símbolo da confusão generalizada ocorrida em Campinas ao ser acuado por um policial militar enquanto tentava proteger seu filho em meio à briga iniciada por torcedores da Ponte Preta na partida contra o Vitória, pela 37ª rodada do Brasileirão.
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Falei para ele: ‘você está me ameaçando por eu estar protegendo meu filho? Você está dizendo que vai bater em um pai de família. Vai me bater na frente do meu filho?’. Aí ele falou: ‘Saia daqui, senão vai levar um cacete’. Foi quando comecei a andar, e ele me deu uma pancada. Aí eu virei para trás e falei: ‘O senhor não honra a farda que veste, está pecando na sua função’. Ele começou a me agredir e me chutar. Eu até evito ver a cena, porque começo a chorar e não consigo ver”, relatou o torcedor, muito emocionado.
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Sabendo que os ânimos da torcida poderiam se exaltar em caso de rebaixamento, Gil tinha um plano: deixaria o estádio minutos antes do término da partida. Mas não deu tempo. Aos 38 min do 2º tempo, torcedores da Ponte invadiram o gramado e deram início à confusão. Ele pensou em se afastar e ficar nas arquibancadas para que não o confundissem com algum tipo de baderneiro. Foi quando os policiais começaram a fazer um cordão para mandar todos para fora do estádio.
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Gil não pretende denunciar, fazer B.O. ou processar os policias que agiram com violência contra sua família. Apesar disso, o pai leva consigo a mágoa, os traumas da humilhação e o medo indevido da polícia, que deveria estar presente para proteger.

