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Vale a pena? Por que comprar um carro fabricado nos anos 1990

Carros fabricados nos anos 1990 em feirão. Foto: reprodução

Com o preço médio de um carro zero superando R$ 80 mil, os veículos usados com mais de 13 anos se tornaram uma alternativa viável para milhões de brasileiros. Dados da Fenauto mostram que, até setembro de 2025, 37% dos 13,4 milhões de usados vendidos eram dessa faixa etária. Apenas em setembro, a preferência por esses “velhinhos” atingiu a marca de 40% do mercado.

A federação aponta que a alta procura é impulsionada pela grande variedade de modelos antigos e pelo custo inacessível dos carros novos. “Comprar um carro novo ficou cada vez mais distante da realidade de boa parte da população”, confirma a análise setorial. Com um orçamento de até R$ 30 mil, valor próximo ao da moto Honda CG mais vendida, é possível adquirir um automóvel que oferece mais segurança e espaço.

O cenário é reforçado pela dificuldade de acesso ao crédito. Dados da B3 indicam que a penetração de financiamentos em vendas de usados caiu de 29,5% para 25,1% na comparação entre 2024 e 2025. “Com juros que ultrapassam os 27% ao ano, muita gente acabou cortando o financiamento da equação”, relata o estudo. Isso força os consumidores a buscarem opções que cabem no pagamento à vista.

Para quem tem um orçamento um pouco maior, na faixa dos R$ 50 mil, o mercado de usados oferece carros mais antigos, porém bem equipados, com itens como ar-condicionado e direção hidráulica. A tendência consolida uma mudança no perfil de consumo, onde a praticidade e o custo-benefício se sobrepõem ao desejo por um veículo zero-quilômetro.