VÍDEO: Casagrande lembra dependência química e diz que confundia drogas com liberdade

Walter Casagrande Júnior, de 63 anos, afirmou que hoje consegue entender o período em que enfrentou a dependência química e associava o uso de drogas a uma falsa ideia de liberdade. Em entrevista ao Metrópoles, o ex-jogador e comentarista relembrou o momento em que ligou para o cantor Frejat, à noite, durante uma fase difícil. “Naquele momento que eu liguei para ele, eu estava muito mal. Estava me drogando muito, estava depressivo, eu não sabia mais o que estava acontecendo com a minha vida. Cara, para eu ligar para o Frejat à noite e perguntar ‘por que a gente é assim?’, eu estava completamente perdido”, disse.
Casagrande contou que só passou a compreender a compulsão depois de ficar internado por um ano para tratar o vício e revisitar a própria história. “Eu era um garoto impulsivo, um garoto que tinha um instinto de liberdade muito grande e não sabia lidar com aquilo que achava que era ser livre – para mim, a coisa mais importante da minha vida era eu me sentir livre, eu tinha que fazer tudo para eu poder ser livre. Na realidade, não é assim o uso da liberdade. A gente tem que colocar um limite na nossa liberdade”, avaliou.
O tema volta a ser abordado no monólogo autobiográfico “Na Marca do Pênalti”, que será apresentado nesta terça-feira (26) no Sesc Pompeia, em São Paulo. A peça não segue ordem cronológica nem roteiro fixo, segundo Casagrande, porque ele não interpreta um personagem, mas fala de si mesmo. O ex-atacante, ídolo da Democracia Corintiana e integrante da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1986, afirmou que sente frio na barriga no palco, mas considera o futebol um ambiente mais pressionado: “No teatro, ao vivo, se eu errar uma palavra, eu posso corrigir e ir embora. No jogo, se você perde um pênalti, não dá para você corrigir”.
