Polícia diz que vigilantes caçavam moradores de rua na Grande Vitória

A Polícia Civil do Espírito Santo afirmou nesta quinta-feira (13) que funcionários de uma empresa de segurança privada atuavam havia ao menos dois anos na Praia do Suá e na Enseada do Suá, em Vitória, para perseguir pessoas em situação de rua. A investigação aponta que o grupo selecionava vítimas vistas perto de condomínios e estabelecimentos atendidos pela empresa, sob suspeita de pequenos furtos.
Os investigadores identificaram ao menos três casos de tortura, incluindo o assassinato de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, de 35 anos. Ele sofreu uma primeira abordagem em 8 de março, quando seguranças o levaram para a região da Terceira Ponte e o espancaram; segundo a polícia, os agressores arrancaram seus dentes com um alicate. Em 17 de março, o grupo o capturou novamente, levou-o para a Serra e o submeteu a cerca de três horas de tortura antes de matá-lo e enterrá-lo em uma área de eucalipto.
A denúncia à Justiça inclui nove pessoas: oito estão presas e uma permanece foragida. De acordo com a polícia, os rondistas compartilhavam imagens das vítimas em grupos de aplicativos de mensagens e combinavam as ações criminosas. O delegado-geral Jordano Bruno classificou os episódios como uma “barbárie” contra pessoas em extrema vulnerabilidade, enquanto a Polícia Civil tenta identificar outras vítimas registradas em vídeos pelos suspeitos.
