Violência contra a mulher pode continuar mesmo após a separação; entenda

O fim de uma relação não encerra necessariamente a violência contra a mulher. A advogada Ana Cristina Melo Santiago, delegada de polícia aposentada e ex-chefe da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher do Distrito Federal, afirma que agressões psicológicas, patrimoniais e formas de controle podem continuar após a separação.
Segundo ela, humilhações, ameaças, desqualificação e restrição financeira podem provocar medo, reduzir a autoestima e limitar a autonomia das vítimas. O controle também pode atingir o patrimônio, recursos financeiros, processos judiciais e a convivência com os filhos, especialmente quando a mulher chega à separação em condição econômica desigual após interromper ou reduzir a vida profissional para cuidar da família.
A especialista alerta que crianças e adolescentes não devem ser inseridos em disputas entre adultos ou usados como instrumentos de pressão. Ela defende que a rede de atendimento e o Judiciário adotem perspectiva de gênero para evitar revitimização. No Distrito Federal, o Programa Viva Flor atende mulheres consideradas em situação de elevado risco e aciona a Polícia Militar em casos de emergência.
