Violência restringe Correios em quase um terço, afetando 4,5 milhões de pessoas em SP
Reportagem de Rogério Pagnan, Daniel Mariani e Fábio Takahashi mostra levantamento inédito da Folha de S.Paulo envolvendo a distribuição da entidade no país.
O alto índice de assaltos levou os Correios a restringirem ou até mesmo a não entregarem produtos em quase um terço da cidade de São Paulo, o que afeta a vida de cerca de 4,5 milhões de pessoas.
Há problemas na distribuição em mais da metade dos distritos da capital (57 dos 96 existentes), principalmente na periferia, onde a restrição chega a 99,96% das ruas do Itaim Paulista, na zona leste.
Os dados integram um levantamento inédito feito pela Folha com base no sistema de informações dos Correios.
A reportagem analisou a situação de entrega para 43.730 CEPs da capital paulista (só 3% do total ficaram de fora, por falhas de sistema) e detectou restrição –completa ou parcial– em 13.410.
Com base nos CEPs, foram calculados os quilômetros de ruas com algum tipo de restrição –são 29% do total. Foi estimada também a população afetada, considerando número de habitantes nos distritos.
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Em um deles, que abrange 24% das ruas, a instituição afirma que a entrega exigirá recursos especiais de segurança, como escolta armada, o que pode mais que dobrar os prazos para entrega.
Se fizer a consulta no site da empresa, o cliente também já fica ciente de que talvez o produto não seja entregue no endereço especificado e ficará em central de distribuição para ser retirado lá.
No outro tipo de restrição, que abrange 5% da cidade, o produto não é entregue de nenhuma forma e vai direto para a unidade de distribuição.
Os locais de retirada são informados pela instituição em avisos deixados pelos carteiros nas casas dos destinatários (correspondências são entregues nessas áreas).
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Distritos com maior percentual de restrição nos Correios tendem a ser os que mais sofrem com roubos em geral. Na periferia da zona sul, Capão Redondo tem restrição em 98% das ruas e o segundo maior número de roubos da cidade, de acordo com dados do governo estadual.
A Secretaria da Segurança Pública da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), responsável pelas polícias do Estado, disse que a situação não é tão crítica quanto mostra o levantamento da Folha e que roubos de carga estão em queda.
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As agências dos Correios na periferia ficam cheias de pessoas em busca dos produtos.
É o caso de um centro de distribuição em Itaquera (zona leste), próximo ao estádio do Corinthians, usado na abertura da Copa do Mundo em 2014. Metade do distrito tem restrição total de entrega.
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Os roubos de carga, aos quais se enquadram assaltos a produtos que os Correios entregam, subiram neste ano, até novembro, 10% no Estado, 1,2% na cidade e 27% na Grande SP –próxima de bairros periféricos paulistanos.
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Os Correios, que confirmaram a dimensão do levantamento da Folha, informaram que o “modelo alternativo” para a entrega de encomendas busca garantir a segurança “dos trabalhadores e evitar que os objetos sejam roubados”. Diz ainda que as informações sobre as áreas com restrição estão em seu site.
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Os Correios não informaram a quantidade de roubos, números de funcionários afastados nem prejuízo com pagamento de seguro.

