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A visita de Mônica Bergamo a Maluf na papuda

Maluf

Da Folha:

A jornalista Mônica Bergamo visitou o ex-prefeito Paulo Maluf na Papuda, em Brasília, e relatou que ele se emocionou e chorou na entrevista. “Querem que eu cumpra pena? Tudo bem. Mas eu posso cumprir em São Paulo, perto da minha família. Eu posso cumprir na minha casa. Eu sou o único preso aqui que tem 86 anos. E cumprindo regime fechado! O único!”, afirmou.

“Eu tive câncer de próstata. Eu sou cardíaco. Tomo 15 remédios por dia”, lembra ainda o ex-prefeito. Maluf diz que não pode reclamar do tratamento tanto dos presos quanto dos agentes, “muito educados”. “Me tratam de forma reverencial, pela idade e pela minha história.”

Na entrevista, ele também se queixou da alimentação. “Todos os domingos eu e a Sylvia [mulher dele] almoçávamos comida árabe em casa, com os quatro filhos, os seis netos e os 13 bisnetos”, diz. E começa a chorar. “Eu sinto falta da Sylvia, sabe? Ela sorriu comigo, ela chorou comigo a vida inteira. Ela vai fazer 83 anos no dia 12 de abril. E no dia 23 nós fazemos 63 anos de casados”.

Trechos:

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, num pátio ao lado separado do corredor por uma grade, vê Maluf.

Acena uma vez. Acena de novo, algo surpreso ao reconhecer a colunista da Folha.

(…)

O banheiro da cela foi reformado por causa do ex-prefeito: barras foram colocadas para ele se segurar durante o banho, com chuveiro Lorenzetti. Um degrau foi nivelado. Há uma pia e uma privada.

(…)

Quando chegou à Papuda, o ex-prefeito deu um pouco de trabalho. Com o já conhecido jeito mandão, distribuía até broncas entre os agentes.

Numa manhã, ele recebia a visita de Jesse quando o carcereiro chegou para levá-lo à dentista. Batendo no pulso, Maluf dizia: “Ela combinou às 9h. E já são 11h. Aqui não tem horário? Não vou.”

O assessor interferiu. “Doutor Paulo, aqui o senhor não é autoridade. É preso.”

(…)

Ele rejeita as quentinhas e só come a comida da cantina: pizza, esfirra, cachorro-quente e pamonha. “E tomo Coca-Cola e Fanta o dia inteiro.”

O ex-prefeito tem direito de gastar R$ 100 por semana, que Jesse leva a ele todas as sextas-feiras, junto com frutas e às vezes biscoitos.

Já estourou o orçamento e teve que pedir dinheiro emprestado duas vezes ao ex-senador Luiz Estevão, de Brasília, que também cumpre pena na Papuda.