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Vítimas de trabalho escravo recebem R$ 655,2 mil, maior indenização já paga no Brasil

Escravidão moderna

Da coluna de Leonardo Sakamoto

Uma operação realizada no Rio de Janeiro resultou no maior valor já pago individualmente em verbas rescisórias a trabalhadores resgatados da escravidão contemporânea, segundo dados da área de inspeção do trabalho do governo federal. As duas vítimas receberão juntas R$ 655,2 mil – um teve direito a R$ 364,5 mil e outro a R$ 290,7 mil. Além disso, também ganharão R$ 20 mil cada por dano moral individual.

Naturais de Exu (PE), terra de Luiz Gonzaga, atuavam como vigia e montador de cestas básicas. Ambos trabalhavam e moravam em um galpão usado na organização e venda de cestas sob responsabilidade da empresa Asa Branca Comércio de Gêneros Alimentícios, no Jardim América, na zona norte da capital fluminense. O bairro sofre influência de grupos milicianos.

A ação foi empreendida por auditores fiscais do trabalho da Superintendência Regional do Trabalho no Rio, pelo Ministério Público do Trabalho, pela Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Desde 1995, quando o governo federal criou o sistema público de combate à escravidão, mais de 56 mil pessoas foram resgatadas dessas condições.

A fiscalização apontou que os dois estavam em condições degradantes e submetidos a jornadas exaustivas. Trabalhavam há mais de cinco anos no mesmo galpão, mas a relação deles com os empregadores teria começado em 2007. (…)