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Volks admite colaboração a ditadura, mas atribui a iniciativa pessoal de funcionários

Lúcio Bellentani, preso e torturado na fábrica em São Bernardo do Campo.

Do Justificando

O presidente da Volkswagen Região América do Sul e Brasil, Pablo Di Si, admitiu quinta-feira (14), em divulgação de relatório de investigação interna, que havia pessoas, dentro da empresa, que colaboraram com o regime militar (1964-1985) no Brasil.

Do lado de fora da sede, em São Bernardo do Campo (SP), ex-funcionários da empresa e vítimas dessas ações protestaram. Entre eles, estava Lúcio Bellentani, que relata ter sido torturado dentro da fábrica.

“No dia 28 de julho de 1972, às 23h30, fui preso dentro da Volkswagen”, conta ferramenteiro Lúcio Bellentani, então com 28 anos, por sua participação política e sindical durante a ditadura militar. Ele disse que as torturas por parte dos policiais começaram na sala dos Recursos Humanos da montadora em São Bernardo do Campo. “Soco, pontapé, tapa. Eles queriam que eu dissesse o nome de outras pessoas que eram sindicalistas, que tinham atividades políticas, que eu delatasse eles ali”, relembra em entrevista à Agência Brasil.

Depois de ter sido preso na fábrica, Bellentani foi levado para o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde, conta, que ficou 47 dias sem que a família soubesse do paradeiro dele.

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A investigação interna, divulgada hoje pela montadora de veículos, foi encomendada pela matriz, na Alemanha, para apurar a colaboração da empresa com o regime militar brasileiro. Com base nas conclusões do historiador Christopher Kooper, responsável pela investigação, a filial da Volkswagen declarou que não há responsabilidade institucional nas violações de direitos humanos cometidas no interior da fábrica, pois não existe prova documental que mostre uma colaboração formal. Os documentos enviados pelo Departamento de Segurança Industrial da Volks à polícia política seriam, portanto, uma iniciativa pessoal do chefe do departamento, o oficial reformado Ademar Rudge.

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A Volkswagem também é investigada por perseguir funcionários. Expedito Soares Batista, que foi funcionário da empresa, conta que durante 15 dias ficou confinado no espaço denominado pelos trabalhadores de “chiqueirinho”. “É uma sala que o trabalhador, antes de ser demitido por justa causa, ficava confinado ali, entrava de manhã e ficava ali sentado com guarda na porta”, explicou. Ele relata que isso ocorreu depois que participou de uma ação em uma das alas de produção para reivindicar melhores condições de trabalho.

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De acordo com a investigação, existia uma “lista negra” de funcionários indesejados que circularia entre as fábricas.

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No curso do inquérito conduzido pelo MPF, os trabalhadores reclamam de uma “postura unilateral” da montadora alemã. “Não nos consulta, não quer conversa oficial”, criticou Lúcio Bellentani. Ele discorda da proposição da empresa de apoiar projetos sociais como medida de reparação, sem que isso seja negociado junto com os trabalhadores e o MPF. Pablo Di Si disse que a empresa não tem planos para indenizar individualmente os trabalhadores perseguidos e que trabalha com o apoio a organizações sociais.