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Votos das regiões Centro-Oeste e do Norte vão superar os do Sul nas eleições de 2018

Reportagem de Daniel Bramatti e Cecília do Lago no Estado de S.Paulo.

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Área com crescimento populacional mais acelerado nos últimos anos, o eixo formado pelas regiões Norte e Centro-Oeste deve superar pela primeira vez o Sul, em número de votos, na eleição deste ano, segundo projeção do Estadão Dados.

Se a virada no tabuleiro eleitoral não ocorrer já em 2018, é inevitável que aconteça pouco depois. A tendência de virada se deve a uma combinação de fatores: as partes de cima e da esquerda do mapa brasileiro têm maiores taxas de natalidade e recebem mais migrantes.

Já os Estados do Sul passam por um processo mais rápido de envelhecimento da população, o que se traduz em maior abstenção, já que o voto deixa de ser obrigatório para quem tem mais de 70 anos. Os idosos com mais de 65 anos são 10,3% da população sulista – entre os nortistas, a taxa cai pela metade, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

As variações paulatinas na composição da população brasileira também têm elevado o peso eleitoral do Nordeste e reduzido o do Sudeste, mas em velocidade mais baixa que nas demais regiões.

Até recentemente, as mudanças demográficas vinham beneficiando o PT. Nas duas décadas encerradas em 2014, o número de eleitores presentes (desconsiderada a abstenção) aumentou 51% em 15 Estados considerados redutos petistas, onde o partido venceu todas as últimas três disputas presidenciais. Já em sete redutos do PSDB, o aumento foi bem menor: 40%.

Se os porcentuais de votos obtidos em cada Estado por Dilma Rousseff no segundo turno de 2014 fossem calculados com a distribuição populacional de duas décadas antes, sua vitória sobre o tucano Aécio Neves teria sido mais apertada. A vantagem teria sido de 2,3 milhões de votos, em vez de 3,5 milhões.

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Não há como prever se essa tendência se manterá em 2018, dada a incerta participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de outubro e o fraco desempenho de outros nomes petistas nas pesquisas até o momento.

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Em números absolutos, a vantagem do Sul sobre o Norte-Centro-Oeste caiu de 3,5 milhões de eleitores em 1998 para apenas 600 mil em 2014 – redução de 2,9 milhões. É como se, nesse período, três cidades do porte de Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis tivessem brotado no Cerrado ou na Amazônia.

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Entre as duas regiões que mais crescem, é o Norte que se destaca mais. A região formada por Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins ultrapassou em 2009 o Centro-Oeste no ranking do eleitorado, e segue se distanciando.

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No outro extremo, os três Estados do Sul estão entre os últimos seis colocados.

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